CadastroENTRAR
NO AR:
PRÓXIMA ATRAÇÃO:

Parado
Volume
Áudios
App Android
App IOS
Facebook Capital
Twitter Capital
Instagram Capital
YouTube Capital
Whatszap Capital

NOTÍCIAS - Arte e Lazer

Sexta-feira, 27/03/2020 10:32
Por Da Redação

Prédio em SP ganha grafite com lama de Brumadinho e releitura de Tarsila.

Um prédio da região da Santa Ifigênia, no centro de São Paulo, ganhou uma homenagem às vítimas de Brumadinho.



Usando como matéria-prima restos do rompimento da barragem da Vale, em Minas Gerais.
Trata-se do grafite Operários de Brumadinho, realizado pelo paulistano Mundano com lama que vazou do local da tragédia e com uma releitura de Tarsila do Amaral.
"Pra não cair no esquecimento e continuar cobrando justiça, resolvi me desafiar a fazer a maior obra da minha vida usando a lama tóxica da Vale como tinta", explicou ele, no Instagram. "
A obra final tem mais de 800 m2 e é uma releitura de Operários (1933), de Tarsila do Amaral . Ela compõe a série releituras mundanas e pode ser vista na lateral do Edifício Minerasil, em frente ao Mercado Municipal de São Paulo", acrescentou.


Grafite "Operários de Brumadinho", de Mundano, homenageia vítimas da tragédia em São Paulo
Imagem: Reprodução/Instagram

"Um abraço caloroso em todos os atingidos e atingidas por barragens nesse dia tão difícil. E, um agradecimento a todos e todas que com muita garra construíram juntos essa obra tão desafiadora", concluiu, no dia que o incidente completou um ano".

Mundano contou o processo complicado de usar como tinta a lama de Brumadinho: Peneiramos e misturamos 270 litros de tinta, foi um desafio físico também. Pintar com a lama foi outro, cada um dos 15 tons tinha uma consistência única, cada cobertura era diferente da outra e quando secava elas mudavam muito de cor. Essa obra tem mais de 800 m2 de área e virou uma batalha com o nosso próprio corpo pra pintar tudo", explicou ele.
"Foram 7 dias de preparação da parede que estava toda descascando e mais 6 dias de pintura. Uma verdadeira maratona que nos deixava com os músculos todos doloridos. Outro desafio é a altura, apesar de trabalhar com toda segurança o tempo todo, tem sim um friozinho na barriga de estar a 50 metros de altura balançando. (...) Essa obra só saiu porque chamei um time de artistas muito talentoso e mão na massa que eu já tinha trabalhado antes", detalhou Mudano. Para o artista, a ideia de homenagear Tarsila com uma releitura de Operários surgiu após participar de um protesto e ver as fotos das vítimas lado a lado. Mundano percebeu os paralelos da arte clássica com o Brasil do século 21. Apesar de não trazer rostos fiéis dos mortos em Brumadinho, ele diz que usou suas expressões.

"Suas expressões eu nunca mais esqueci e fizeram parte da base das faces mescladas com as da obra original e com os traços de trabalhadores que encontrei durante a produção indo de metro, andando na rua e com o público do Mercadão", explicou ele, citando Tarsila. "Pra representar essa obra era necessário atualizá-la pra 2020, e o louco é que, 87 anos depois, tirando o aumento da poluição, pouco mudou."



Tags: 


Vídeos

Facebook Twitter Instagram YouTube Whatszap App Android App IOS
® 2020 Rádio Novo Mundo Ltda - Todos os direitos reservados