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NOTÍCIAS - Exclusivas / Famosos

Terça-feira, 15/10/2019 08:53
Por Luiz Carlos Ramos

Antônio Aguillar, 90 anos, uma vida em comunicação

Ao amigo da Jovem Guarda, a homenagem da Rádio Capital



Antônio Aguillar, sucesso na Rádio Capital aos domingos, é algo além de um patrimônio do rádio brasileiro: aos 90 anos, que vai completar na sexta-feira, 18 de outubro, ele festeja também 75 anos de carreira em comunicação. Desde 1944, Aguillar jamais parou, tendo trabalhado em jornais, revistas e TVs, além de emissoras de rádio. Nascido em São José do Rio Preto, em 18 de outubro de 1929, entrou num trem rumo a São Paulo, aos 18 anos, decidido a conquistar a cidade grande.

A Rádio Capital, onde Antônio Aguillar apresenta o programa “Jovens Tardes de Domingo” desde 2005, atualmente das 12 às 13 horas aos domingos, homenageia sua atração pelos 90 anos, uma vida inteira dedicada à comunicação – com talento, simpatia, sensibilidade, garra e ética. Convidado pela Rádio, ele participa do “Debate das 11” no dia 18 e recebe o abraço de seus companheiros de trabalho.

Aqui está um pouco da bela história de Aguillar, revivida pelo coordenador de Jornalismo da Rádio Capital, Luiz Carlos Ramos, também professor e escritor, que se baseou na convivência nestes últimos anos, numa entrevista exclusiva e num livro sobre o grande apresentador, “Histórias da Jovem Guarda”, lançado em 2005.

O próprio Antônio Aguillar recorda: “Em Rio Preto, aos 15 anos, já comecei a trabalhar. Quando garoto, vendo cenas da 2.ª Guerra Mundial, fiquei apaixonado pelo cinema e pela fotografia. E tive a sorte de conseguir emprego de ajudante num estúdio de fotografia, a Casa Foto Demonte. Então, aprendi a fotografar e a revelar e retocar filmes. Comprei uma enorme câmera de segunda mão, que me permitiu iniciar a carreira de fotógrafo.”

Três anos depois, uma viagem de trem de dez horas, ao lado de um tio, sob as bênçãos dos pais, levou Aguillar aos desafios de São Paulo. Não desgrudou de sua câmera. Ficou hospedado com o tio, numa pensão na Rua General Osório, no Centro, e passou um dia inteiro andando de boné para conhecer as atrações da cidade. Ficou impressionado. Mas era tempo de buscar emprego. Não foi fácil: conseguiu vaga só numa empresa de seguros. Mas, economizando dinheiro, comprou uma câmera melhor e foi morar em Santana, na Zona Norte. E chegou a ser fotógrafo não registrado em jornais pequenos, como “A Hora” e “A Razão”, portas de entrada para emprego fixo num jornal grande, “O Estado de S. Paulo”.

“Em 1952, fiquei sabendo que o Estadão estava saindo de sua sede na Rua Boa Vista, no Centro, para um novo e moderno edifício, construído na Rua Major Quedinho, esquina com a Avenida São Luís e a Rua da Consolação, também no coração da cidade”, conta Aguillar. “Vesti minha melhor roupa, peguei a coleção de fotos que havia tirado e fui atrás de emprego. Procurei o diretor de Redação, Rui de Lima e Castro, e acho que fui convincente ao mostrar meu trabalho, pois ele me levou ao redator-chefe, José Maria Homem de Montes, que por muito tempo seria diretor do Estadão. Foi muita sorte. Montes disse que precisava mesmo de um novo fotógrafo para completar a equipe, em que já estavam o Oswaldo Palermo e o Reynaldo Ceppo. Meu primeiro trabalho foi fotografar um quiosque de flores no Largo do Arouche e escrever uma legenda. No dia seguinte, vibrei ao ver a edição do jornal com minha foto impressa.”

Em pouco tempo, Antônio Aguillar já aparecia entre os principais fotógrafos de São Paulo. Também tratou de se aprimorar ao escrever textos, tornando-se um autêntico repórter-fotográfico, fazendo trabalhos sobre a cidade, educação, saúde, política, economia, agricultura e esporte, além de colaborar no Suplemento Feminino.

De repente, o sempre agitado Aguillar não se conformou em ter apenas um emprego. Foi atrás da recém-criada Rádio 9 de Julho, também no Centro da cidade, e conquistou vaga para redigir noticiosos lidos no ar por um então jovem jornalista, Joelmir Beting, que ficaria famoso como especialista em economia. Nisso, o mundo foi tomado pelo fenômeno Elvis Presley, com seu rock and roll. “Em 1958, entrei no cinema Art Palácio, no Largo Paissandu, e presenciei a agitação de alguns jovens amantes do rock que assistiam a um filme estrelado por Elvis. Também gostei do ritmo, e decidi que a música entraria de uma vez na minha carreira. Em 1959, tive a primeira chance de apresentar programa de rádio, fazendo um programa de calouros na Rádio 9 de Julho”, relata Antônio Aguillar. “Com base nessa experiência, logo depois, tive convite para a Rádio Excelsior, atual CBN, e dei o grande passo para mudar minha vida.”

Mudar a vida significou ganhar a chance de apresentar programas de auditório, algo que animou tanto Aguillar, a ponto de ele pedir demissão do Estadão. Na época, a Excelsior pertencia ao empresário Victor Costa, que tinha como “carro chefe” a Rádio Nacional, hoje Globo, e uma participação da TV Paulista – a segunda a ser criada em São Paulo, após a Tupi, e que seria comprada pela Rede Globo. Com o tempo, Aguillar ganhou a confiança do diretor artístico das duas emissoras, Francisco de Abreu, apresentando, aos domingos, o programa infantil “Clube dos Garotos”.

Mais tarde, no auditório da Rádio Nacional, no bairro de Santa Cecília, Antônio Aguillar passou a apresentar o programa de calouros “Aí vem o Pato”. Em seguida, veio “Ritmos da Juventude”, oportunidade para ter contato direto com cantores nacionais de rock. E as coisas foram acontecendo muito rápido, até que surgiu, em 1961, a oportunidade numa emissora de TV, a Paulista, e depois num canal relembrado com saudade, a TV Excelsior, cujos estúdios e auditório ficavam na Rua Nestor Pestana, bem no Centro de São Paulo.

A partir daí, a carreira de Aguillar disparou. Sempre se mantendo informado a respeito do mundo do rock, ele divulgava nas rádios e na TV as músicas dos cantores Demétrius, Ronnie Cord, Tony e Celly Campello, Sérgio Reis, Wanderley Cardoso, Marcos Roberto, Sérgio Murilo, Carlos Gonzaga, George Freedmane dos conjuntos The Rebells e The Jordans, paralelamente à difusão das músicas de Elvis Presley e outros mitos americanos. Em meados de 1962, a TV Excelsior conquistou de vez o coração de Aguillar, que, por sua vez, conquistou o público, por meio do diário “Show do Meio Dia”, que lotava o auditório aos domingos. Eram jovens assistindo ao programa e tentando se aproximar de seus ídolos. Às vezes, o diretor da TV, Edson Leite, teve de chamar a polícia para conter os ânimos do público.

Naquela altura, os caminhos de Aguillar e do grande Roberto Carlos se cruzariam. Foi em 1959 que um jovem cantor de Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, já morando no Rio de Janeiro, gravou seu primeiro disco, um compacto, com “João e Maria” num lado e “Fora do tom” no outro. Começava a nascer, no Rio, a “Turma da Jovem Guarda”, que cresceria em São Paulo, nas mãos de Aguillar na TV Excelsior e depois na TV Record. Roberto, com seu amigo e parceiro Erasmo Carlos, foi evoluindo.

Como ocorreu a aproximação entre Roberto e Aguillar? O apresentador Chacrinha, “O Velho Guerreiro”, que morava no Rio, esteve em São Paulo para um programa e procurou Aguillar, pedindo-lhe para que desse chance a “um jovem cantor, pouco conhecido, mas muito bom”. O encontro ocorreu na semana seguinte, no saguão do Hotel Lord, na Rua das Palmeiras. A apresentação foi assim: “Aguillar, este é o moço de quem te falei. Dê uma força para ele. Tenho certeza de que ele vai ser um dos maiores cantores do Brasil. Você não vai se arrepender.”

O resto da história, todos os admiradores de Aguillar já sabem. Não só foi aberto espaço para o tal jovem amigo do Chacrinha como surgiu uma linda amizade entre Antônio Aguillar e Roberto Carlos. Todos sabem também que Aguillar descobriu o conjunto “The Clevers”, mais tarde conhecido como “Os Incríveis”, e seguiu sua carreira, sempre com sucesso.

Em 2005, Aguillar começou a ter programa semanal na Rádio Capital, aos domingos, sempre em torno da Jovem Guarda: “Jovens Tarde de Domingo”. Os cantores da Jovem Guarda já não eram tão jovens, mas o público mantinha a paixão por suas músicas. Quem relembra é a esposa do apresentador, Maria Célia Santos Soares Aguillar, que é também produtora do programa: “Estamos casados há 47 anos. E fico impressionada com o ânimo e com a vitalidade do Aguillar diante do microfone, às vésperas de completar 90 anos. Ele se empolga a cada nova edição do programa e não abre mão de conversar com todos os cantores amigos do passado, colocando-os em contato com o público por meio da Rádio Capital.”

Em 18 de outubro, sexta-feira, a Rádio Capital presta uma homenagem especial a Antônio Aguillar, convidando-o a participar do programa “Debate das 11”, apresentado por João Ferreira, uma oportunidade para falar um pouco de seu amor pela música, pelo rock, pela Jovem Guarda e pelo rádio, e ser aplaudido por todos os funcionários da emissora. Este texto e as fotos servem para o público de Aguillar relembrar a trajetória do grande profissional. Não basta ter talento ou sorte: Aguillar tem muito mais do que isso, e não abre mão de provar suas qualidades cada vez que vai ao ar. Um exemplo!


Antônio Aguillar
Foto: Rádio Capital





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