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NOTÍCIAS - Brasil

Sábado, 07/04/2018 13:02
Por Ana Paula Novaes

Lula faz pronunciamento e afirma que vai cumprir ordem de prisão

Na manhã de hoje (7) o ministro Edson Fachin negou o recurso da defesa do ex-presidente.



O ex-presidente falou de cima de um carro de som em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos 

Foto: Reprodução 


Após dois dias no prédio do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu hoje (7)) do prédio, por volta das 10h40. Lula deixou a sede do sindicato pela primeira vez desde que chegou ao local, na quinta-feira (5) à noite.

Após participar de uma missa em homenagem a dona Marisa Letícia, que faria aniversário neste sábado, Lula se pronunciou pela primeira vez desde a ordem de prisão expedida pelo juiz Sérgio Moro na noite de quinta-feira (5).

O ex-presidente começou seu discurso agradecendo o apoio de lideranças políticas presentes. Em seguida, citou a ex-presidente Dilma Roussef e disse que ela foi a pessoa que lhe deu a tranquilidade de fazer quase tudo o que conseguiu fazer na presidência. "Eu sou grato de coração, porque não teria sido o que foi se não fosse a companheira Dilma”, frisou. Lula ainda afirmou que Dilma foi a mulher mais injustiçada em sua carreira política. 

Lula ainda agradeceu ao Sindicato dos Metalúrgicos, disse  viveu os seus melhores momentos políticos no sindicato e destacou que  parte das conquistas da democracia brasileira se deve ao à entidade a partir de 1978. "Aqui foi minha escola, aprendi sociologia, economia, física, química, e aprendi a fazer muita política." O ex-presidentes ainda lembrou as greves lideradas pelo sindicato no final dos anos 70 e nos anos 80.

Lula voltou a negar que fosse dono do tríplex do Guarujá. “Sou a única pessoa a ser processada por um apartamento que não era meu. Não os perdôo, porque passaram à sociedade a ideia de que eu era ladrão. Nenhum deles dorme com a consciência tranquila da honestidade que eu durmo”, afirmou.

O ex-presidente acrescentou: “. Eu não estou acima da Justiça. Se estivesse, teria proposto uma revolução neste país. Eu acredito na Justiça. Numa Justiça justa, que vota um processo baseado nos autos do processo, nas informações das acusações, das defesas, na prova concreta”, disse.

Lula ainda lembrou a apresentação feita pelo procurador Deltan Dallagnol. “O que eu não posso admitir é um procurador que fez um PowerPoint e foi para a televisão dizer que o PT é uma organização criminosa que nasceu para roubar o Brasil", diz Lula.

Ele disse que  "quanto mais eles me atacam, mais cresce a minha relação com o povo brasileiro".

O ex-presidente ainda disse que não querem que ele participe da eleição. "Eles não querem o Lula de volta, porque pobre na cabeça deles não pode ter direito." Ele garantiu que irá cumprir a ordem de prisão. “Vou atender porque eu quero fazer a transferência de responsabilidade. Eles acham que tudo o que acontece nesse país acontece por minha causa", diz Lula. Não adianta tentar parar o meu sonho, porque quando eu parar de sonhar eu sonharei pela cabeça de vocês", diz Lula.

O ex-presidente afirmou que não pedirá asilo político. “"Quanto mais dias me deixarem lá [preso], mais Lulas vão nascer neste país. Eu não to escondido, eu vou lá na barba deles, para eles saberem que eu não tenho medo, que não vou correr e para saberem que eu vou provar a minha inocência", frisou Lula.

Durante o discurso ele destacou que tem profundo orgulho de ter sido o único presidente sem ter um diploma universitário. "Mas sou o presidente que mais fez universidade na história desse país. Vamos fazer uma nova Constituinte, vamos revogar a lei do petróleo, não vamos deixar vender o BNDES, a Caixa Econômica", acrescentou.

Lula ainda afirmou: “eu sairei dessa maior, mais forte, mais verdadeiro e inocente, porque eu quero cobrar que eles é que cometeram um crime, um crime político de perseguir um homem que tem 50 anos de história política".

O ex-presidente terminou seu pronunciamento, depois de cerca de 50 minutos, afirmando: “Esse pescoço aqui eu não baixo. Eu vou chegar lá de cabeça erguida e de peito estufado".

Liminar negada
Na manhã de hoje (7) o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, negou o recurso apresentado ontem (6) pela defesa do ex-presidente  para suspender a decisão do juiz federal Sérgio Moro que determinou a execução provisória da pena de 12 anos e um mês de prisão na ação penal do triplex do Guarujá (SP).

No recurso, a defesa de Lula sustentava que Moro não poderia ter executado a pena de prisão porque não houve esgotamento dos recursos no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), segunda instância da Justiça Federal. Para os advogados, a decisão do STF que autorizou, em 2016, as prisões após condenação em segunda instância, deve ser aplicada somente após o trânsito em julgado no TRF4.

Ao negar o pedido, Fachin citou que a jurisprudência atual do Supremo Tribunal Federal (STF) que permite a prisão em segunda instância e lembrou a decisão do plenário que na última quarta-feira (4) negou o habeas corpus preventivo do ex-presidente Lula.

“Como se vê, o cerne do pronunciamento do Plenário reside na compatibilidade constitucional da execução de pena assentada em segundo grau de jurisdição, salvo atribuição expressa de efeito suspensivo ao recurso cabível. Segundo compreendeu o Tribunal Pleno, portanto, o cumprimento da pena, em tais circunstâncias, constitui regra geral, somente inadmitido na hipótese de excepcional concessão de efeito suspensivo quanto aos efeitos do édito condenatório”, disse Fachin.

“Cumpre registrar que o Plenário desta Suprema Corte decidiu, recentemente (HC 152.752/PR, julgado em 4.4.2018), que a determinação de execução da pena imposta ao paciente não representa ato configurador de ilegalidade ou abuso de poder”, acrescentou.

Com informações da Agência Brasil. 




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